
Visita de Wang Yi a Seul Deixa Coreia do Sul em Posição Diplomática Difícil
O chanceler chinês Wang Yi encerrou uma visita de dois dias a Seul sem apoiar a proposta sul-coreana de negociações de paz multilaterais com a Coreia do Norte, complicando o equilíbrio diplomático de Seul entre Pequim e Washington.
O chanceler chinês Wang Yi encerrou uma visita de dois dias a Seul sem apoiar a proposta sul-coreana de negociações de paz multilaterais com a Coreia do Norte, complicando o equilíbrio diplomático de Seul entre Pequim e Washington.
O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, concluiu na sexta-feira uma visita de dois dias à Coreia do Sul, sua primeira viagem solo ao país em cinco anos, sem endossar a proposta de Seul para negociações de paz multilaterais envolvendo a Coreia do Norte. O resultado expôs os limites do discurso otimista usado pelos dois governos para descrever o estado das relações bilaterais.
A visita ocorreu poucas semanas depois de o presidente Xi Jinping viajar a Pyongyang em junho, sua primeira ida ao país em sete anos, e coincidiu com uma mudança de postura em Washington. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu reduzir os exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul enquanto pedia a retomada do diálogo com o líder norte-coreano Kim Jong-un. Pyongyang respondeu com mais de dez lançamentos de mísseis balísticos de curto alcance na quinta-feira, levando a presidência sul-coreana a convocar uma reunião emergencial de segurança justamente quando Wang chegava ao país.
Durante a visita, autoridades chinesas e sul-coreanas declararam que as relações haviam sido "totalmente restabelecidas" após anos de tensão, citando a retomada de trocas em nível de liderança e a ampliação da cooperação em comércio, tecnologia e intercâmbio entre povos. Mas, por trás do tom festivo, Wang transmitiu uma mensagem incisiva ao presidente Lee Jae Myung e a outras autoridades sul-coreanas de alto escalão.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores da China, Wang instou a Coreia do Sul a buscar o que chamou de "autonomia estratégica genuína" e a evitar "confrontos entre blocos ou escolha de lados", desenvolvendo relações com Pequim e Washington de forma mutuamente compatível. Embora formulada em linguagem diplomática, a mensagem foi amplamente interpretada como um alerta contra o aprofundamento do alinhamento de segurança de Seul com os Estados Unidos.
Analistas afirmam que a visita, na prática, deixou Seul em posição ainda mais delicada, em vez de facilitar seu equilíbrio diplomático. Apesar da atmosfera amistosa, Pequim não chegou a endossar o quadro de paz proposto pela Coreia do Sul para a península coreana, frustrando um resultado diplomático que o governo de Lee esperava exibir. Essa lacuna, somada aos testes de mísseis norte-coreanos e ao recuo militar americano, deixou Seul lidando com pressões simultâneas das três grandes potências.
O episódio ilustra um dilema recorrente para a Coreia do Sul: o clima mais ameno com Pequim não se traduziu em apoio substancial às próprias iniciativas de Seul, enquanto a postura cambiante de Washington em relação à aliança acrescenta ainda mais incerteza ao cálculo de segurança da região.
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