
Kim ordena grande expansão da rede de inteligência da Coreia do Norte
Kim Jong Un ordenou que a agência de inteligência norte-coreana amplie capacidades de satélite, cibernéticas e de espionagem no exterior, alimentando temores sobre cooperação com Rússia e China.
Kim Jong Un ordenou que a agência de inteligência norte-coreana amplie capacidades de satélite, cibernéticas e de espionagem no exterior, alimentando temores sobre cooperação com Rússia e China.
O líder norte-coreano Kim Jong Un ordenou que a principal agência de inteligência do país amplie significativamente suas capacidades de reconhecimento militar e espionagem estrangeira, uma decisão que reacende preocupações em Seul e Washington sobre um possível aprofundamento da cooperação de inteligência entre Coreia do Norte, Rússia e China.
Segundo a mídia estatal norte-coreana, Kim deu a ordem durante uma reunião no início deste mês, pedindo que o país aperfeiçoe sua capacidade de coletar informações essenciais e reagir a ameaças de potências rivais. A determinação recai sobre o órgão hoje conhecido como Escritório Geral de Reconhecimento e Informação, criado em setembro de 2025 a partir da reestruturação e renomeação do antigo Escritório Geral de Reconhecimento. A agência supervisiona desde espionagem convencional e operações secretas no exterior até ataques cibernéticos e vigilância por satélites militares.
O movimento ocorre num momento em que Pyongyang aprofunda suas parcerias com Moscou e Pequim. Analistas observam que a Coreia do Norte historicamente conseguiu realizar operações de grande impacto no exterior — sendo associada ao ataque cibernético contra a Sony Pictures em 2014, ao roubo de planos militares sul-coreanos e americanos em 2016, e ao assassinato em 2017 de Kim Jong Nam, meio-irmão de Kim Jong Un, na Malásia — apesar de manter missões diplomáticas em apenas cerca de 43 países em 2024, uma rede muito menor do que a das grandes potências.
A capacidade de satélites é um ponto fraco evidente. A Coreia do Norte tem apenas um satélite de reconhecimento em órbita, o Malligyong-1, lançado em novembro de 2023, e especialistas externos já questionaram a real utilidade das imagens que ele produz. Lançamentos posteriores destinados a ampliar a constelação falharam ou foram adiados. Autoridades de inteligência sul-coreanas acreditam que a Rússia possa estar fornecendo discretamente apoio técnico em satélites e veículos de lançamento em troca do apoio militar contínuo de Pyongyang à guerra de Moscou na Ucrânia — relação reforçada pela visita de Kim ao cosmódromo russo de Vostochny em 2023, ao lado do presidente Vladimir Putin. Com vários satélites operando, a Coreia do Norte poderia monitorar instalações militares sul-coreanas, japonesas e americanas com muito mais frequência do que hoje.
As operações cibernéticas representam outro canal provável de cooperação. Hackers norte-coreanos são acusados de roubar bilhões de dólares em criptomoedas para financiar programas estatais, e investigadores da ONU analisaram dezenas de ataques cibernéticos atribuídos à Coreia do Norte contra empresas de criptoativos entre 2017 e 2023. Especialistas afirmam que Pyongyang e Moscou poderiam compartilhar malware e infraestrutura técnica mesmo sem um acordo formal.
Nenhuma aliança trilateral de inteligência entre Coreia do Norte, Rússia e China foi anunciada oficialmente. Joseph Bermudez Jr., especialista em Coreia do Norte do Center for Strategic and International Studies, avalia que qualquer cooperação tende a se parecer mais com uma divisão informal de tarefas do que com uma estrutura institucionalizada como a aliança Five Eyes, formada por Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Nesse cenário, a Rússia forneceria conhecimento em satélites e tecnologia militar, a China ofereceria acesso a infraestrutura de comunicações e presença internacional mais ampla, e a Coreia do Norte contribuiria com talento cibernético e informações coletadas por suas próprias redes.
Pyongyang também vem ampliando sua presença diplomática entre governos alinhados a Moscou, tendo realizado em março sua primeira cúpula com o líder bielorrusso Alexander Lukashenko; Belarus deve abrir uma embaixada em Pyongyang em agosto. Chun In-bum, ex-comandante das forças especiais sul-coreanas, afirmou que uma rede diplomática maior daria à Coreia do Norte mais oportunidades de monitorar comunicações estrangeiras e apoiar operações cibernéticas no exterior — tendência que, segundo analistas, pode aumentar o risco de invasões contra órgãos governamentais, empresas de defesa, instituições financeiras e missões diplomáticas sul-coreanas.
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