Incerteza de Trump aproxima Japão e Coreia do Sul em aliança estratégica
Ansiedades compartilhadas diante de uma Washington imprevisível aproximam Tóquio e Seul em maior cooperação de segurança e comércio, embora disputas históricas e políticas divergentes sobre China e Coreia do Norte ainda ameacem a reaproximação.
Ansiedades compartilhadas diante de uma Washington imprevisível aproximam Tóquio e Seul em maior cooperação de segurança e comércio, embora disputas históricas e políticas divergentes sobre China e Coreia do Norte ainda ameacem a reaproximação.
Japão e Coreia do Sul caminham para o seu alinhamento estratégico mais estreito em anos, impulsionados menos por afeto mútuo do que por uma inquietação compartilhada diante dos Estados Unidos sob o presidente Donald Trump, segundo análise publicada pelo East Asia Forum.
O aquecimento das relações, inicialmente energizado pela cúpula trilateral de agosto de 2023 em Camp David sob o ex-presidente sul-coreano Yoon Suk-yeol, sobreviveu a mudanças de liderança nos três países. Mesmo a combinação desconfortável entre a primeira-ministra japonesa conservadora e nacionalista Sanae Takaichi e o presidente progressista sul-coreano Lee Jae-myung não freou o ritmo. O encontro dos dois em Andong, cidade natal de Lee, em 18 e 19 de maio de 2026, foi descrito como caloroso, surpreendendo críticos que temiam que as críticas passadas de Lee ao domínio colonial japonês descarrilassem o progresso.
A análise, assinada pelo professor da Universidade de Stanford e pesquisador do Korea Economic Institute Daniel Sneider, atribui a mudança à necessidade comum de se proteger tanto da China quanto de uma Washington errática. As guerras comerciais e intervenções militares de Trump abalaram ambas as economias, e um alto funcionário sul-coreano teria dito que os dois governos compartilham "ansiedades sobre Washington", e não preocupações centradas em Pequim.
Autoridades em Seul estariam avaliando medidas antes consideradas impensáveis, incluindo um possível pacto de não agressão que deixaria de lado disputas territoriais e até avanços rumo a um tratado de defesa mútua. Embora tais medidas testem a tolerância pública em ambos os países, sua mera discussão sinaliza quão profundamente a incerteza gerada por Trump está remodelando a região. Notavelmente, o aprofundamento ocorre sem envolvimento ativo da Casa Branca, que não demonstrou interesse no arcabouço trilateral construído sob o ex-presidente Joe Biden.
Ainda assim, a retórica superou as ações concretas. A Coreia do Sul manifestou interesse em ingressar no Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífico (CPTPP), mas não apresentou pedido formal, limitada em parte por restrições persistentes a frutos do mar japoneses ligadas ao acidente de Fukushima. Na defesa, o ministro japonês Koizumi Shinjiro visitou Seul em junho de 2026, mas não conseguiu firmar um há muito buscado pacto de logística militar, com Lee citando o sentimento público sobre queixas históricas como obstáculo.
Divisões mais profundas também se avizinham. Lee tem trabalhado para preservar laços com Pequim e parece disposto a apoiar uma possível cúpula de Trump com o líder norte-coreano Kim Jong-un que poderia aceitar tacitamente o status nuclear de Pyongyang — resultado que Tóquio teme. Processos de indenização de guerra ainda não resolvidos contra empresas japonesas seguem tramitando nos tribunais sul-coreanos, e uma única visita de Takaichi ao santuário Yasukuni poderia reacender as tensões.
Por ora, conclui Sneider, o caminho para relações melhores permanece aberto, em grande parte graças a Trump e, em menor medida, ao presidente chinês Xi Jinping. Por quanto tempo essa janela permanecerá aberta, porém, está longe de ser certo.
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