
Lee Jae Myung inicia turnê pela América Latina e destaca região como chave para diplomacia coreana
O presidente sul-coreano Lee Jae Myung começou sua primeira turnê pela América Latina no Brasil, prometendo aprofundar laços com o Sul Global e avaliando a retomada das negociações com o Mercosul antes de seguir para Chile e Argentina.
O presidente sul-coreano Lee Jae Myung começou sua primeira turnê pela América Latina no Brasil, prometendo aprofundar laços com o Sul Global e avaliando a retomada das negociações com o Mercosul antes de seguir para Chile e Argentina.
O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, iniciou neste domingo sua primeira viagem pela América Latina no Brasil, apresentando a região como peça central dos esforços de Seul para ampliar sua presença diplomática em meio a uma reconfiguração acelerada da ordem internacional. A turnê ainda passará por Chile e Argentina.
Em reunião virtual com assessores realizada a partir da capital brasileira, Lee afirmou que diversificar as parcerias diplomáticas da Coreia do Sul se tornou essencial para o desenvolvimento estável do país neste momento de mudanças globais. Ele descreveu a América Latina, com sua vasta população e riqueza de recursos naturais, como uma das regiões mais promissoras para expandir o alcance diplomático coreano.
Lee deve se reunir em cúpula com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, no que será o quinto encontro entre os dois líderes e a segunda cúpula bilateral formal, após a visita de Estado de Lula a Seul em fevereiro. Os dois mandatários também se encontraram em reuniões multilaterais, como o G7 e o G20, ao longo do último ano. Antes de seguir para Brasília, Lee inspecionou um avião de transporte C-390, adquirido da brasileira Embraer, e classificou a compra como o início de uma cooperação de defesa mais ampla entre os dois países, sugerindo ainda parcerias futuras na produção de aeronaves civis.
A cooperação econômica e de cadeias de suprimentos deve dominar a agenda da turnê pelos três países. Segundo a presidência sul-coreana, Brasil, Chile e Argentina somam juntos um mercado de cerca de 280 milhões de pessoas e uma economia combinada de aproximadamente US$ 3,7 trilhões. Com Brasil e Argentina, os principais membros do Mercosul, Lee pretende discutir a retomada das negociações de um acordo comercial entre a Coreia do Sul e o bloco. Com o Chile, primeiro parceiro de livre comércio da Coreia, as conversas devem focar na modernização do acordo bilateral já existente.
A riqueza de recursos da região reforça a importância da visita. O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras e figura entre os maiores exportadores de café, açúcar e frango, enquanto o Chile detém as maiores reservas de cobre e lítio do planeta e a Argentina abriga o segundo maior depósito de gás de xisto do mundo. Seul considera esses recursos essenciais para diversificar cadeias de suprimentos diante de riscos climáticos e geopolíticos.
A passagem pela América Latina ocorre logo após uma parada em São Francisco, onde Lee se reuniu com executivos de grandes empresas americanas de inteligência artificial e semicondutores e apresentou a chamada Declaração de São Francisco sobre IA. Segundo ele, a visita rendeu cerca de US$ 950 bilhões em parcerias potenciais de semicondutores entre empresas coreanas e americanas, e a declaração representa a ambição da Coreia de se tornar protagonista na era da inteligência artificial.
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