
Ministro da Unificação busca abandonar rótulo de 'principal inimiga' para a Coreia do Norte
O ministro da Unificação Chung Dong-young propôs eliminar a designação da Coreia do Norte como 'principal inimiga' da Coreia do Sul para tentar retomar o diálogo com Pyongyang, plano que enfrentou resistência do Ministério da Defesa e cautela do presidente Lee Jae Myung.
O ministro da Unificação Chung Dong-young propôs eliminar a designação da Coreia do Norte como 'principal inimiga' da Coreia do Sul para tentar retomar o diálogo com Pyongyang, plano que enfrentou resistência do Ministério da Defesa e cautela do presidente Lee Jae Myung.
O ministro da Unificação da Coreia do Sul, Chung Dong-young, propôs abandonar a designação de longa data que classifica a Coreia do Norte como a "principal inimiga" do país, argumentando que esse rótulo dificulta a retomada do diálogo com Pyongyang. A proposta foi apresentada durante um relatório de trabalho ao presidente Lee Jae Myung em Seul, na quarta-feira, quando o ministério detalhou seu plano para o segundo semestre de 2026 — e gerou reação imediata do Ministério da Defesa.
De acordo com o plano, o Ministério da Unificação pretende romper com a linha adotada pelo governo anterior, que buscava a unificação por meio da absorção do Norte, e passar a explorar um novo modelo baseado na coexistência entre as duas Coreias. Segundo o próprio ministério, Chung afirmou durante a apresentação que reconhecer o nome oficial do outro país é um passo fundamental, defendendo o fim do que chamou de linguagem "hostil e carregada de ódio" entre os dois lados.
Um dia antes, em entrevista coletiva, Chung havia detalhado melhor seu raciocínio. Disse que o termo "inimigo", usado durante o governo de Yoon Suk Yeol, não condiz com uma política voltada à coexistência pacífica, e que a expressão "ameaça", empregada nos governos de Roh Moo-hyun e Moon Jae-in, seria mais adequada. Ele também classificou como preocupante a situação atual, em que o próprio presidente rotula o Norte como "principal inimigo", e afirmou que o ministério trabalhará para reduzir tensões e buscar a desnuclearização da península coreana.
A ideia não é inédita nas discussões de política — já havia sido levantada em reuniões anteriores sobre segurança —, mas o Ministério da Defesa tem se oposto de forma consistente. O impasse ganha peso adicional porque a pasta da Defesa está preparando a edição de 2026 do seu Livro Branco de Defesa, publicado a cada dois anos, o primeiro sob o governo Lee, e que será observado de perto quanto à forma como descreverá o Norte. A edição de 2022, sob Yoon, classificou o regime e as forças armadas norte-coreanas como "nosso inimigo", mantendo a linha retomada pelos governos de Lee Myung-bak e Park Geun-hye depois que o governo Roh havia abandonado o termo "principal inimigo", usado entre 1995 e 2004, em favor de "ameaça". A expectativa é de que a edição deste ano mantenha a mesma linguagem.
Chung foi além e sugeriu que Seul passe a chamar a Coreia do Norte pelo seu nome oficial, República Popular Democrática da Coreia, ou pela forma abreviada em coreano "Joson", como forma de criar um clima mais conciliador. O presidente Lee reagiu com cautela, lembrando que Chung já havia enfrentado fortes críticas por usar publicamente a sigla DPRK, e alertou que mesmo propostas bem-intencionadas podem ter efeito contrário caso se tornem alvo de disputas políticas. Chung evitou usar o termo "Joson" durante a própria apresentação de quarta-feira, embora já o tenha utilizado publicamente em outras ocasiões.
O debate ocorre justamente quando a Coreia do Norte caminha na direção oposta em seu discurso. O líder Kim Jong-un declarou, em dezembro de 2023, que as relações intercoreanas deveriam ser tratadas como as de "dois Estados hostis", abandonando na prática o próprio objetivo de unificação de Pyongyang, e em março foi mais longe ao classificar a Coreia do Sul como o "Estado mais hostil" para o Norte. Nesse contexto, a tentativa de Chung de suavizar o discurso de Seul enfrenta forte resistência tanto dentro do governo quanto no cenário político mais amplo.
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