
Samsung e SK Hynix batem recorde no 2º trimestre com boom de chips de IA
Samsung Electronics e SK Hynix registraram lucro operacional combinado de cerca de US$ 104 bilhões no segundo trimestre de 2026, impulsionados pela demanda por chips de memória para inteligência artificial, o que já atraiu pressões de Washington e de acionistas locais.
Samsung Electronics e SK Hynix registraram lucro operacional combinado de cerca de US$ 104 bilhões no segundo trimestre de 2026, impulsionados pela demanda por chips de memória para inteligência artificial, o que já atraiu pressões de Washington e de acionistas locais.
As duas maiores fabricantes de chips da Coreia do Sul fecharam um trimestre histórico. Samsung Electronics e SK Hynix reportaram lucro operacional combinado de cerca de 150 trilhões de wones, o equivalente a aproximadamente US$ 104 bilhões, no segundo trimestre de 2026. O resultado confirma o quanto os chips de memória das duas empresas se tornaram essenciais para a expansão global da inteligência artificial, com a demanda por memória de alta largura de banda disparando junto com a corrida por infraestrutura de IA.
O desempenho da SK Hynix chama especial atenção. A empresa está no caminho de lucrar mais somente em 2026 do que acumulou nos 27 anos anteriores somados, um salto explicado por sua liderança em chips de memória de alta largura de banda (HBM), usados em aceleradores de IA de empresas como a Nvidia. A Samsung, embora esteja atrás da rival nesse segmento específico, também colhe os frutos da forte demanda que se espalha por toda a sua área de memória.
O tamanho desses lucros transformou os resultados em motivo de disputa que vai muito além das diretorias das duas companhias. Durante negociações comerciais em junho, autoridades americanas lideradas pelo vice-representante de Comércio dos EUA, Rick Switzer, propuseram um modelo de compartilhamento de lucros que direcionaria parte dos ganhos ligados à IA de volta para o lado americano da cadeia de suprimentos, já que são as gigantes de tecnologia dos EUA que compram essa memória em grande escala. No mercado interno, o grupo de acionistas minoritários conhecido como ACT vem pressionando a Samsung por uma recompra de ações de US$ 32 bilhões, argumentando que os investidores individuais merecem uma fatia maior dos lucros da era da IA. A SK Hynix já formalizou um princípio parecido internamente, mantendo desde 2025 um programa de bônus sem teto que distribui 10% do lucro operacional anual aos funcionários.
Mesmo sob essa pressão por distribuição, as duas empresas continuam reinvestindo pesado. A SK Hynix reservou pelo menos 45 trilhões de wones em investimentos de capital para 2026, alta de cerca de 50% em relação ao ano anterior, para acompanhar a demanda por sua memória de alta largura de banda. A Samsung, por sua vez, está ampliando sua própria capacidade de fabricação voltada à IA na tentativa de reduzir a distância em relação à rival. Apesar dos gastos maiores, os balanços de ambas seguem sólidos, com a posição de caixa líquido combinada projetada para chegar a cerca de US$ 263 bilhões até o fim de 2026.
O salto nos lucros também tem peso maior para a economia sul-coreana, fortemente dependente de exportações e cada vez mais apoiada no ciclo de semicondutores como motor de crescimento. Com os chips de memória ocupando lugar central na estratégia de IA de Washington, a indústria de semicondutores da Coreia do Sul passou a ser também uma peça na diplomacia econômica entre os dois aliados, algo que ultrapassa uma simples história de resultados corporativos.
Analistas esperam que o boom da memória para IA continue sustentando os resultados das fabricantes coreanas pelo restante do ano, mas o modo como Samsung e SK Hynix vão equilibrar reinvestimento e as crescentes cobranças de governos, acionistas e funcionários deve definir a próxima fase desse ciclo recorde.
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