Coreia do Norte·2 min de leitura·Autor: Koreabw AI Desk

Como Rússia e China continuam ajudando a Coreia do Norte a driblar sanções

Uma nova análise argumenta que Rússia e China minaram sistematicamente as sanções da ONU contra a Coreia do Norte por anos, e esse apoio só se aprofundou à medida que Pyongyang passou a apoiar a guerra da Rússia na Ucrânia.

Atualizado em: 16 de ago. de 2026, 17:03 GMT-3
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Uma nova análise argumenta que Rússia e China minaram sistematicamente as sanções da ONU contra a Coreia do Norte por anos, e esse apoio só se aprofundou à medida que Pyongyang passou a apoiar a guerra da Rússia na Ucrânia.

O líder norte-coreano Kim Jong-un teria acumulado uma reserva de mais de US$ 20 bilhões em moeda estrangeira, um sinal de como as sanções internacionais destinadas a isolar seu regime fracassaram profundamente. Segundo uma análise publicada nesta semana, boa parte do mérito — ou da culpa — por esse enriquecimento não é apenas da engenhosidade norte-coreana, mas também da cumplicidade silenciosa de seus dois gigantescos vizinhos, Rússia e China.

As raízes do problema remontam a dezembro de 2017, quando o Conselho de Segurança da ONU, incluindo Rússia e China, aprovou o que na época era o pacote de sanções mais duro já imposto a Pyongyang. A medida limitava as importações de petróleo bruto norte-coreano a quatro milhões de barris por ano e determinava que todos os países que empregavam trabalhadores norte-coreanos os repatriassem em até dois anos. No papel, as medidas visavam cortar o fluxo de moeda forte que financia os programas nuclear e de mísseis do país.

Na prática, segundo a análise, Pequim e Moscou nunca tiveram intenção de cumprir o acordo. Estima-se que cerca de 100 mil trabalhadores norte-coreanos ainda estejam empregados na Rússia e na China, muitos em construção civil ou como profissionais de TI que atuam discretamente para empresas ao redor do mundo. Cerca de 90% dos salários desses trabalhadores voltariam diretamente para Pyongyang, gerando entre US$ 200 milhões e US$ 500 milhões por ano para o regime — valor que estaria em ascensão, não em queda.

A fiscalização do regime de sanções também colapsou. Em março de 2024, o Painel de Especialistas da ONU responsável por monitorar violações foi efetivamente encerrado depois que a Rússia vetou sua renovação e a China se absteve, deixando sem órgão independente para documentar formalmente como as regras são descumpridas. Desde então, a Rússia teria fornecido milhares de toneladas de petróleo bruto à Coreia do Norte todos os meses, muito além dos limites estabelecidos pela ONU.

Os riscos aumentaram ainda mais à medida que a Coreia do Norte se tornou parceira ativa na guerra da Rússia contra a Ucrânia, fornecendo munição de artilharia, mísseis e tropas em troca de tecnologia militar, petróleo e outros tipos de assistência. Analistas alertam que, mesmo que a guerra na Ucrânia termine, é improvável que a relação entre Pyongyang e Moscou se desfaça, dada a escassez de mão de obra russa e a disposição — ou coerção — da Coreia do Norte em enviar trabalhadores ao exterior.

A implicação mais ampla, segundo a análise, é que o Conselho de Segurança da ONU não consegue mais funcionar como um mecanismo eficaz de aplicação de sanções contra a Coreia do Norte, já que dois de seus cinco membros permanentes protegem ativamente Pyongyang das consequências. Isso deixa Washington, Seul e seus aliados com muito menos ferramentas para pressionar o governo de Kim Jong-un a conter suas ambições nucleares.

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