Coreia do Norte mantém distância pública da China mesmo com laços mais estreitos com a Rússia
Uma nova análise do programa 38 North, do Stimson Center, aponta que Pyongyang continua a evitar demonstrações públicas de calor com Pequim mesmo alinhando-se mais em questões de segurança, em contraste com sua linguagem cada vez mais efusiva em relação a Moscou.
Uma nova análise do programa 38 North, do Stimson Center, aponta que Pyongyang continua a evitar demonstrações públicas de calor com Pequim mesmo alinhando-se mais em questões de segurança, em contraste com sua linguagem cada vez mais efusiva em relação a Moscou.
A Coreia do Norte parece calibrar cuidadosamente o tom de suas declarações públicas sobre a China, mesmo à medida que os dois países se aproximam em questões de segurança regional, segundo uma nova análise publicada pelo programa 38 North, do Stimson Center. O relatório, assinado pela analista Rachel Minyoung Lee, examina um extenso pronunciamento divulgado em 19 de agosto por Kim Yo Jong, irmã do líder Kim Jong Un e alta funcionária do Partido dos Trabalhadores, que abordou a visão de Pyongyang sobre Estados Unidos, Rússia e, indiretamente, China.
Segundo a análise, o mais notável no pronunciamento não foi o que foi dito sobre Washington, mas a diferença marcante de tom entre as referências à Rússia e à China. Kim Yo Jong expressou apoio inequívoco à guerra da Rússia na Ucrânia e reafirmou que Pyongyang permanece, em suas palavras, "infinitamente fiel" ao tratado bilateral entre os dois países. Já em relação à China, embora suas posições gerais ecoassem em grande parte a postura de Pequim sobre segurança regional — incluindo críticas contundentes ao rearmamento japonês —, ela evitou citar o país nominalmente ou expressar solidariedade direta.
Essa omissão é considerada significativa porque a Coreia do Norte já demonstrou disposição para apoiar explicitamente posições chinesas quando decide fazê-lo. O relatório lembra que Kim Jong Un endossou a posição de Pequim sobre Taiwan durante uma cúpula com o presidente chinês Xi Jinping em junho, o que torna ainda mais notável a ausência de um gesto equivalente no pronunciamento de agosto. O momento também chamou atenção: as declarações de Kim Yo Jong ocorreram enquanto o chanceler chinês Wang Yi visitava Seul para conversações que incluíram temas de segurança na Península Coreana, embora a análise ressalte que o significado dessa coincidência não é claro.
O relatório situa esse episódio dentro de um padrão mais amplo observado nos últimos meses. A mídia estatal norte-coreana deu cobertura discreta ao 65º aniversário do tratado de amizade entre os dois países em julho, deixando de lado a expressão "amizade forjada em sangue", historicamente usada para descrever a relação. Quando Kim Jong Un recebeu uma delegação chinesa de alto escalão por volta da mesma época, ele não teria oferecido o mesmo apoio explícito às posições chinesas demonstrado em seus encontros com Wang Yi em abril e com Xi Jinping em junho.
Uma visita de Kim, no fim de julho, a um cemitério de soldados chineses mortos na Guerra da Coreia também foi mais contida em comparação com as comemorações de 2018 e 2023, quando a mídia estatal divulgou declarações extensas de Kim ligando o sacrifício histórico à força dos laços atuais. Isso contrasta fortemente com a forma como a mídia norte-coreana descreveu a visita de Kim à Torre da Libertação em agosto, quando ele falou com entusiasmo sobre a história compartilhada e os "laços de sangue" com a Rússia, prometendo que a amizade entre as duas nações seria mantida por gerações.
A análise conclui que a crescente convergência de políticas entre Pyongyang e Pequim em temas como a postura de segurança do Japão não se traduziu em uma relação pública mais calorosa, sugerindo que a Coreia do Norte mantém deliberadamente patamares diferentes para seus laços com China e Rússia. O relatório sugere que a persistência dessa lacuna entre alinhamento discreto e reserva pública será um indicador importante de até onde pode chegar a recente melhora nas relações entre Coreia do Norte e China.
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