
Coreia do Norte dispara mais de 10 mísseis balísticos ao fim de exercícios EUA-Coreia do Sul
A Coreia do Norte lançou uma série de mísseis balísticos de curto alcance, possivelmente lançadores múltiplos de foguetes de 600 mm, no encerramento do reduzido exercício Ulchi Freedom Shield, levando Seul a convocar reunião de segurança de emergência.
A Coreia do Norte lançou uma série de mísseis balísticos de curto alcance, possivelmente lançadores múltiplos de foguetes de 600 mm, no encerramento do reduzido exercício Ulchi Freedom Shield, levando Seul a convocar reunião de segurança de emergência.
A Coreia do Norte disparou mais de dez mísseis balísticos de curto alcance a partir da região de Pyongyang nesta quinta-feira, que voaram cerca de 300 quilômetros em direção ao mar, na costa leste da península, segundo o Estado-Maior Conjunto sul-coreano. Os lançamentos ocorreram justamente quando Estados Unidos e Coreia do Sul encerravam uma versão reduzida do exercício militar anual Ulchi Freedom Shield, que o presidente Donald Trump havia determinado que fosse encurtado.
O gabinete presidencial sul-coreano convocou rapidamente uma reunião de segurança de emergência com autoridades do Ministério da Defesa e das Forças Armadas após os disparos. Em comunicado, Seul classificou os lançamentos como "um ato grave que viola as resoluções do Conselho de Segurança da ONU" e exigiu que Pyongyang interrompa imediatamente novos testes.
O ministro da Defesa, Ahn Gyu-back, disse ao parlamento que os projéteis seriam foguetes de lançadores múltiplos de 600 mm, sistema que a Coreia do Norte já afirmou ser capaz de transportar ogivas nucleares táticas. Ahn acrescentou que Seul monitora de perto essas armas porque poderiam eventualmente ser posicionadas perto da fronteira entre as duas Coreias, e estimou separadamente que o Norte possui atualmente entre 80 e 120 ogivas nucleares.
O exercício, uma rotina de 11 dias que Pyongyang há muito denuncia como um ensaio de invasão, foi encurtado depois que Trump afirmou querer retomar uma diplomacia pessoal com o líder norte-coreano Kim Jong Un, apresentando a redução como um gesto de boa vontade e também como forma de economizar recursos. Trump disse no início da semana ter recebido uma resposta de Kim, embora a reação concreta de Pyongyang tenha vindo na forma de mísseis, não de negociações.
Horas depois dos lançamentos, Kim Yo Jong, irmã influente do líder norte-coreano, rejeitou o gesto de Trump, chamando a redução dos exercícios de "um desastre evidente", resultado do que descreveu como uma visão de segurança ultrapassada de Seul e de sua relação de "senhor e servo" com Washington. Ela disse desconhecer qualquer contato recente entre os dois líderes e afirmou que a política hostil dos EUA contra Pyongyang permanece inalterada.
O episódio também provocou reações de Moscou e Pequim. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, disse que Moscou "só pode saudar" a decisão americana de reduzir os exercícios conjuntos, enquanto o chanceler chinês Wang Yi, em visita a Seul nesta semana, pediu que a Coreia do Sul não tome partido entre China e Estados Unidos e cobrou que Washington abandone o que chamou de política hostil contra Pyongyang.
Os lançamentos evidenciam a instabilidade em torno da aproximação de Trump com Kim, que tem incomodado aliados na região mesmo enquanto perde fôlego em meio às turbulências mais amplas ligadas às tensões com o Irã. Analistas afirmam que os repetidos testes de armas indicam que Pyongyang não tem pressa em retomar negociações, apesar dos gestos de Washington.
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