
Presidente da Coreia do Sul propõe conversas com o Norte para encerrar formalmente a Guerra da Coreia
Lee Jae-myung propôs conversas diretas com Pyongyang para encerrar formalmente a Guerra da Coreia de 1950-53, enquanto a Coreia do Norte aprofunda laços com a Rússia e defende seu arsenal nuclear como irreversível.
Lee Jae-myung propôs conversas diretas com Pyongyang para encerrar formalmente a Guerra da Coreia de 1950-53, enquanto a Coreia do Norte aprofunda laços com a Rússia e defende seu arsenal nuclear como irreversível.
O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, propôs a abertura de conversas diretas com Pyongyang com o objetivo de encerrar formalmente a Guerra da Coreia, mais de sete décadas depois que os combates cessaram por meio de um armistício, e não de um tratado de paz.
Lee apresentou a proposta em um discurso transmitido em rede nacional por ocasião do Dia da Libertação, feriado de 15 de agosto que celebra o fim da ocupação colonial japonesa em 1945. Segundo ele, esse diálogo poderia ir além de uma declaração simbólica de paz e também servir como espaço para discutir a interrupção do avanço nuclear norte-coreano.
A Guerra da Coreia, travada entre 1950 e 1953, terminou não com um tratado de paz, mas com um acordo de armistício, deixando as duas Coreias tecnicamente ainda em guerra. Tentativas anteriores de líderes sul-coreanos e americanos de negociar um fim formal do conflito fracassaram repetidamente, e a península continua sendo uma das fronteiras mais militarizadas do mundo.
A proposta de Lee chega em um momento delicado. A Coreia do Norte tem aprofundado sua cooperação militar e econômica com a Rússia, e sua liderança tem descrito repetidamente seu arsenal nuclear como um elemento "irreversível" da segurança nacional, que não será negociado. Pyongyang também criticou recentemente os próximos exercícios militares conjuntos entre a Coreia do Sul e os Estados Unidos, chamando-os de provocativos.
Desde que assumiu o cargo, Lee tem sinalizado preferência pelo engajamento em vez do confronto com o Norte, uma mudança marcante em relação à linha mais dura de seu antecessor conservador. Analistas afirmam que a nova proposta provavelmente busca testar se Pyongyang, encorajada por sua parceria com Moscou, tem algum interesse em retomar o diálogo com Seul.
Ainda não está claro como a Coreia do Norte reagirá. O governo de Kim Jong Un tem demonstrado pouco interesse público em retomar conversas com Seul nos últimos anos, priorizando suas relações com Rússia e China enquanto continua expandindo seus programas de mísseis e armas nucleares.
Analistas alertam que, mesmo que as negociações comecem, conciliar um processo de tratado de paz com a insistência norte-coreana em manter armas nucleares representaria um obstáculo fundamental, o mesmo que já minou iniciativas diplomáticas semelhantes no passado.
Onde importa
Cobertura relacionada

Coreia do Norte critica exercícios militares EUA-Coreia do Sul e ameaça 'novo nível de dissuasão'

Como a diplomacia mudou o destino da Coreia — e seu futuro

Coreia do Norte lança míssil balístico às vésperas de manobras EUA-Coreia do Sul
