China testa abertura com a Coreia do Sul enquanto Trump agita a aliança
A China está enviando seu principal diplomata, Wang Yi, a Seul para explorar tensões na aliança EUA-Coreia do Sul após Washington reduzir exercícios militares conjuntos, segundo a Bloomberg.
A China está enviando seu principal diplomata, Wang Yi, a Seul para explorar tensões na aliança EUA-Coreia do Sul após Washington reduzir exercícios militares conjuntos, segundo a Bloomberg.
O principal responsável pela política externa da China, Wang Yi, viajará a Seul em uma visita que a Bloomberg descreve como uma tentativa de Pequim de testar novas aberturas na política externa sul-coreana, num momento em que a abordagem do presidente americano Donald Trump para a aliança tem perturbado arranjos de segurança de longa data. A viagem ocorre depois que Washington reduziu o escopo dos exercícios militares conjuntos com as forças sul-coreanas, uma mudança que gerou em Seul dúvidas sobre a durabilidade dos compromissos de segurança dos Estados Unidos na península.
Por décadas, a aliança entre Estados Unidos e Coreia do Sul se sustentou em um ritmo constante de grandes exercícios conjuntos, criados para dissuadir a Coreia do Norte e reafirmar a presença americana. A disposição de Trump em reduzir ou reconfigurar esses exercícios, mesmo enquanto busca sua própria aproximação com Pyongyang, alimentou entre autoridades e analistas sul-coreanos a preocupação de que as garantias de segurança possam se tornar negociáveis em vez de fixas.
Pequim parece ansiosa para aproveitar essa incerteza. A visita de Wang Yi é vista como parte de um esforço mais amplo da China para reconstruir laços com Seul, desgastados na última década, especialmente após a disputa do sistema antimísseis THAAD em 2017, que provocou represálias econômicas informais chinesas contra empresas sul-coreanas. Relações mais amistosas dariam a Pequim uma brecha estratégica numa região onde observa Washington aprofundar a coordenação trilateral com Seul e Tóquio.
O presidente sul-coreano Lee Jae-myung enfrenta um equilíbrio delicado. Seu governo sinalizou interesse em estabilizar relações com a China, seu maior parceiro comercial, sem abandonar a aliança com os EUA, que continua sendo a espinha dorsal de sua defesa contra a Coreia do Norte. Autoridades em Seul têm sido cautelosas em declarações públicas, temendo parecer inclinar-se demais para Pequim enquanto a própria postura de Washington parece instável.
Analistas alertam contra atribuir peso excessivo a uma única visita. A forte dependência econômica da Coreia do Sul do comércio chinês pode levar Seul a um tom mais amigável, mas sua dependência de segurança das forças americanas estacionadas na península, somada à desconfiança remanescente do episódio THAAD, torna improvável uma virada estratégica completa no curto prazo. Ainda assim, o simbolismo de Wang Yi chegando a Seul justamente quando Trump ajusta a presença militar americana mostra como o triângulo China-EUA-Coreia pode se mover rapidamente quando os sinais de Washington se tornam menos previsíveis.
As próximas semanas devem trazer mais clareza, incluindo como Seul definirá publicamente a visita e se Washington agirá para tranquilizar seu aliado com novos compromissos. Por ora, a aproximação de Pequim serve como um lembrete contundente de que lacunas na gestão da aliança americana não passam despercebidas por rivais atentos a oportunidades de reconfigurar o equilíbrio regional.
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