
Bolsa da Coreia do Sul despenca com fim do boom impulsionado por IA
O índice KOSPI perdeu cerca de US$ 2,18 trilhões em valor em duas sessões, com a liquidação de apostas alavancadas em fabricantes de chips ligados à IA levando o governo e o Banco da Coreia a uma reunião de emergência.
O índice KOSPI perdeu cerca de US$ 2,18 trilhões em valor em duas sessões, com a liquidação de apostas alavancadas em fabricantes de chips ligados à IA levando o governo e o Banco da Coreia a uma reunião de emergência.
A bolsa da Coreia do Sul teve mais um dia de fortes perdas nesta quarta-feira, no segundo pregão consecutivo de queda acentuada. O índice de referência KOSPI chegou a cair 12,6% durante o dia antes de reduzir as perdas e fechar com recuo de 6%, na sequência de um tombo de quase 11% na véspera. Somadas, as duas sessões apagaram cerca de US$ 2,18 trilhões do valor das ações listadas em Seul, colocando o mercado no caminho da pior queda mensal de sua história.
A reviravolta ocorre após semanas de euforia em torno de fabricantes de chips de memória, como Samsung Electronics e SK Hynix, cujas ações haviam disparado com a explosão da demanda global por hardware de inteligência artificial. Analistas afirmam que o tombo tem menos relação com um enfraquecimento real da demanda por IA do que com a liquidação forçada de posições alavancadas montadas durante a alta. "Se você observar o que está caindo no mercado, são justamente as ações com mais alavancagem", disse Frank Benzimra, chefe de estratégia de ações da Ásia no Societe Generale em Hong Kong.
A volatilidade não ficou restrita à Coreia do Sul. Jon Withaar, gestor sênior de portfólio da Pictet Asset Management em Cingapura, relatou sinais de pânico e vendas forçadas em ações de tecnologia por toda a Ásia, acrescentando que papéis japoneses até então esquecidos pelo mercado, como Nintendo e Sony, dispararam à medida que o capital migrava para fora dos vencedores do boom de chips.
A crise ganhou contornos políticos em Seul. Pressionado por parlamentares, o ministro das Finanças, Koo Yun-cheol, pediu desculpas pela aprovação anterior do governo a fundos negociados em bolsa (ETFs) alavancados sobre ações individuais, reconhecendo que os produtos não haviam sido analisados com o rigor necessário antes de começarem a ser negociados.
Na noite de quarta-feira, o ministro, o presidente do Banco da Coreia e os principais reguladores financeiros realizaram uma reunião de emergência, a segunda em duas semanas, após um encontro em 16 de julho que já havia resultado em uma primeira rodada de restrições a esses ETFs alavancados. Após a nova reunião, o Ministério das Finanças informou que vai acelerar novas restrições, incluindo um limite para a parcela da carteira de cada investidor destinada a produtos alavancados sobre ações individuais — citando um teto possível de 20% — além de custos de negociação mais altos e a exigência de simulações de negociação para novos participantes. A pasta também disse que vai preparar uma base legal para permitir medidas emergenciais de estabilização do mercado no futuro.
Apesar da dimensão da queda, que já apagou quase 40% do valor do KOSPI em relação ao pico atingido pouco mais de um mês atrás, o índice ainda acumula alta de 41,5% no ano em dólares, o melhor desempenho entre as principais bolsas do mundo em 2026.
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